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Depoimentos

Marcos Paulo
23 de setembro de 2008

Como vc conheceu o projeto?
Fiquei sabendo pela minha professora que reuniu a turma na biblioteca e avisou que o professor Rogério daria um aulão de basquete. Eu me interessei junto com o Gabriel e fomos na quadra participar.

O que levou você a continuar no projeto?
Estou no projeto há 3 anos. Eu ficava em casa sem nada para fazer, então o Bolar se tornou uma ocupação e a oportunidade de praticar um esporte.

O projeto te acrescenta alguma coisa no seu cotidiano?
Sim. Eu aprontava um pouco em casa e o Bolar me ajudou a ter mais disciplina, responsabilidade e ajudar mais meus pais em casa.

Se você pudesse dizer algo para o professor Rogério (coordenador) o que diria?
Muito obrigado! Ele sempre me tratou com carinho e respeito, me ajudou muito, sempre pergunta se estou precisando de algo, deu oportunidade para o meu irmão e graças ao projeto hoje jogo na equipe mirim do C.R Flamengo.

Erik
9 anos
9 de dezembro de 2005

Pai e mãe separados e uma irmã de 6 anos. Enquanto nos dava a entrevista, mostrava o cotovelo machucado e mal curado por diversas vezes. Um banho provavelmente há mais de dois dias. Ele passa a semana na escola assim como sua irmã. Sua mãe, profissão faxineira, não tem com quem deixá-los enquanto vai ao trabalho. Ela os pega no colégio às sextas-feiras para passarem os fins de semana juntos. Moram no Morro dos Prazeres, numa favela no bairro de Santa Teresa. Lá ele gosta de jogar bola. Sua casa tem tv, fogão, geladeira e máquina de lavar roupa. Em apenas um andar sem laje há um quarto, sala, banheiro e cozinha.

Os tênis que ganhou da academia de basquete são os objetos mais valiosos que ele possui. Não tem contato com o pai, que mora em Itaboraí, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Passou de ano e vai para a 3a série em 2006. Geografia é a matéria que ele mais gosta. Quer estudar e se formar na faculdade. Gostaria de se tornar ator de teatro.

O momento mais significativo em sua vida foi uma festa de aniversário surpresa que sua professora organizou no ano passado, ao completar 8 anos. Assistiu a apenas um jogo de basquete na tv, da seleção brasileira em 2005, e gostou. Não sabe se vai continuar a treinar basquete em nossa academia em 2006, pois talvez vá morar com o pai. Sente que é mais feliz após ter começado os treinos de basquete na Academia BOLAR/TRIPLE THREAT.

Felipe
13 anos
O Último Jogo de 2006
20 de novembro de 2006

O dia começou cedo. Tomei meu banho, vesti o uniforme do time e esperei meus colegas. Quando eles chegaram, fomos até uma praça que se chama Cobal. Ficamos treinando lá até as 10 horas, depois fomos até o CIEP esperar o técnico Rogério chegar. Assim que ele chegou, fomos tomar o ônibus do metrô. O meu colega Gabriel foi falando a viagem inteira do Leblon até Copacabana. Chegando no metrô, entramos e fizemos uma viagem tranqüila, e pelo menos o Gabriel não foi falando. Quando saímos do metrô, fomos a um restaurante perto do Club Municipal, almoçamos e brincamos muito. Comemos muita carne. Depois, pegamos o ônibus para o Mackenzie. Lá fizemos uma partida de basquete contra uns garotos que estavam brincando na quadra.
Quando começou o jogo principal eu estava meio cansado e enjoado por causa da carne do almoço. Independente disso eu joguei mal. Se não fosse o meu colega Gabriel, o jogo poderia ter sido muito pior para o nosso time. Mesmo passando mal, ele levou o time nas costas, fez mais cestas, fez o time chegar perto da vitória. Infelizmente nós perdemos. Foi mais uma experiência das nossas vidas.

Thiago
12 de outubro de 2004

Thiago - "Tem 17 anos de idade, 2,02m de altura, pesa 84kg, joga de ala/pivô no Clube Municipal, categoria Infanto-Juvenil e foi campeão pelo FENIX no I Campeonato da LIGA BOLAR de 2004. Concluiu a 3ª série do 2º grau em escola pública estadual em 2003. É um dos primeiros alunos da Academia BOLAR desde julho de 2002".

Se você fosse iniciar um projeto social, o que seria e a quem se destinaria?
Existem muitos projetos sociais no mundo voltados a ajudar pessoas, na maioria crianças e idosos. Esses projetos procuram devolver a dignidade para estas pessoas que são discriminadas pela sociedade.

Se eu criasse um projeto social, trabalharia com crianças, as incentivando para a prática do esporte, pois acredito que com a prática do esporte aprendemos a tomar decisões certas, pensar coletivo e nos tornamos pessoas mais sadias, sem maldade no pensamento.

Eu participo de um projeto assim e ele me ajudou muito, pois estou me tornando uma pessoa mais feliz e mais consciente na hora de tomar decisões importantes para o meu futuro.

Eu acredito que trabalhando com crianças, que representam o futuro do nosso planeta, elas se tornarão adultos de bem e teremos um mundo melhor para viver.

Taylor
16 de dezembro de 2004

Taylor - 16 anos, 1,87m de altura, 82Kg, joga de ala/pivô na equipe Fenix, finalizou a 1ª série do ensino médio numa escola pública do município do Rio de Janeiro. Seus pais são comerciantes na comunidade onde moram. Abandonou por um tempo os treinos de basquete para se dedicar exageradamente aos jogos eletrônicos por computador na internet. Agora, retorna aos treinos e dá seu depoimento a respeito.

Os jogos eletrônicos me atrairam pois tenho computador em casa e fui superando os diversos níveis de dificuldade até me sentir capaz de competir e vencer qualquer adversário. Sempre me organizei para não me prejudicar nos estudos. Jogava à tarde durante a semana e de madrugada na 6ª feira e no sábado. Para se evoluir nos jogos eletrônicos é fundamental ter o computador em casa com acesso à internet.

Meu apelido (Baylor) ganhou respeito e importância na internet. Minha auto-estima melhorou muito. Contudo, os jogos eletrônicos não têm limites e aos poucos fui abandonando meus amigos, o esporte, e outras coisas importantes para a minha vida. Esta atividade acaba virando um vício.

É difícil generalizar se o jovem de hoje prefere os jogos eletrônicos ao esporte. Uma coisa é certa, é fácil alguém se viciar em jogos eletrônicos. Nosso corpo nos impõe limites naturalmente e a atividade física é sempre benéfica. Os jogos eletrônicos não produzem nenhum benefício físico e à saúde.

O porte físico e o preparo físico não são empecilhos à prática de jogos eletrônicos, fazendo com que aqueles que são menos dotados prefiram este tipo de atividade. A auto-confiança é importante sempre, enquanto que a perseverança é fundamental para a boa prática esportiva.

Com a prática do basquete não fiquei mais doente, melhorei meu preparo físico, perdi a vergonha de me relacionar com os outros, entre outras coisas boas. Acredito que seja possível praticar esporte e jogos eletrônicos, porém com limites pré-definidos.

O que dificulta a prática esportiva para jovens é a falta de mais projetos como o BOLAR, para todos os esportes, próximo às comunidades como a nossa. A falta de espaço em casa também dificulta o desenvolvimento pessoal nos esportes.

Meus amigos se interessam mais pelo esporte que pelos jogos eletrônicos. Isto me ajudou a retornar para o esporte e me libertar da quase dependência dos jogos de computador. Estou fazendo musculação e pretendo me dedicar novamente ao basquete. Agora, tenho limites de horário para jogar no computador. Espero conseguir equilibrar melhor minha vida daqui em diante.

Kleiton
10 de agosto de 2004

Kleiton - "Tem 16 anos de idade, está na 8ª série, estuda de manhã. Está há dois anos treinando no projeto BOLAR. Ficou ausente por um período de seis meses e retornou".

Descobri o basquete vindo ao projeto BOLAR a convite de um amigo. Fico motivado a vir aos treinos, pois aqui aprendo cada vez mais e acredito que possa me tornar uma pessoa melhor.

Gostaria que houvesse mais treinamento físico e mais dias de treino. Academia de musculação e bebedouro fazem falta. As condições de limpeza da quadra e dos vestiários ainda não são as ideais. Devido às goteiras na quadra, não há treino nos dias de chuva, o que atrapalha um pouco.

Acredito que estou explorando 60% do meu potencial e preciso de mais disciplina. O campeonato está melhorando a cada momento. Para mim, já está muito bom assim. Eu gostaria de ter uma oportunidade em um clube, mesmo que isto implicasse na minha saída do projeto BOLAR, pois isto significaria que ele está dando resultado.

Não estou tendo grandes dificuldades no basquete e na vida. A violência já faz parte do meu dia-a-dia. Sempre vi muita gente armada, porém não sei atirar. A cena de pessoas mortas onde moro não causam mais impacto a ninguém lá.

Meu sonho é ser um jogador de basquete profissional e pretendo lutar para isso. Pretendo me esforçar para conseguir uma bolsa em escola particular no ano que vem.

Tenho uma namorada e a gente se encontra na casa dela. Tenho amigos e eles são muito importantes para mim.

Pretendo morar num lugar mais seguro no futuro, numa casa da cidade e não de uma comunidade fechada. Desejo ter um computador para facilitar as pesquisas da escola e me comunicar por e-mails com amigos. O objeto mais valioso para mim é o meu video-game. Jogo com os amigos e isto me diverte.

Uma das coisas que eu gostaria de fazer e não faço é viajar.

George
22 de setembro de 2004

George - "Tem 16 anos de idade, 1,82m, 74kg, joga de armador e defendeu o NEON no I Campeonato da LIGA BOLAR de 2004. Está na 3ª série do 2º grau em escola pública estadual. Está há oito meses treinando no projeto BOLAR".

A separação entre a LIGA e a ACADEMIA BOLAR vai ser positiva. Jogadores mais experientes que ainda não conhecem o projeto terão oportunidade de participar. Poderemos aprender com eles. Além disso, ajudará na divulgação do basquete e do projeto.

Vejo como um objetivo claro da ACADEMIA BOLAR transformar os jovens em profissionais de valor para a vida e/ou para o basquete. A LIGA BOLAR é fundamental na confraternização e no aprimoramento individual pela competição.

O I CAMPEONATO DA LIGA BOLAR favoreceu a participação de todos nos jogos, pois as equipes tinham um número ideal de jogadores. A falta de responsabilidade de alguns foi um fator negativo, pois propiciou partidas com WO.

Acredito que o prêmio oferecido aos atletas da equipe campeã (um par de tênis para basquete) é adequado e importante, pois é uma motivação a mais além do jogo.

O projeto BOLAR tem me ajudado a ser mais disciplinado e com isso posso direcionar melhor a minha vida.

A procura pelos treinos ainda não é grande devido ao basquete não ser um esporte popular no momento. Com os jogos pela TV aberta da NBA e Campeonato Brasileiro isso tende a melhorar muito. Assisti neste ano a quase todos os jogos pela RedeTV aos sábados à noite no E-Interativo. Meu ídolo é o NENÊ.

Estou me dedicando para me tornar um técnico eletro-mecânico de aviação e pretendo seguir a carreira militar da aeronáutica. Meu sonho é possuir e pilotar um avião monomotor. O objeto mais importante na minha vida é a minha casa.



 


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